Notícias

21 de abril de 2019

PASCOA DO SENHOR, FONTE DE VIDA E ESPERANÇA



A narrativa evangélica nos diz que ao alvorecer do primeiro dia depois do Sábado, Pedro e João encontraram o túmulo vazio. Madalena e as outras mulheres encontraram Jesus ressuscitado; reconheceram-No também os dois discípulos de Emaús ao partir o pão; o Ressuscitado apareceu aos Apóstolos no Cenáculo e depois a muitos outros discípulos na Galileia. 

No acontecimento Pascal, nova primavera de esperança invade o mundo; isto porque desde o dia da ressurreição de Jesus, a nossa ressurreição iniciou, porque a Páscoa não indica simplesmente uma data histórica, mas o início da nova condição: Jesus ressuscitou, para que Ele mesmo viva em nossa vida, e, n’Ele, possamos já saborear a alegria da vida eterna sem fim, e não fazendo da ressurreição uma simples memória de um acontecimento passado. 

“Páscoa, em poucas palavras, é a vitória da Vida sobre a morte, do novo Adão sobre o tentador e o pecado. Os cristãos sabem que tal acontecimento não é meramente pretérito, mas se perpetua através dos séculos mediante os sacramentos do Batismo e da Eucaristia. Por isto os fiéis trazem em si um princípio; da vida nova de Cristo, já que foram enxertados no Senhor Jesus pelo Batismo.”¹ 

Para os Judeus a Páscoa, conforme a Sagrada Escritura, é um memorial, não somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens. A celebração litúrgica desses acontecimentos toma-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tomam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.” ²

A Páscoa é tão importante em nossa vida que o Tríduo Pascal, conforme as Normas litúrgicas não se apresentam “como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da Paixão e Ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal (…) Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o Espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua Paixão e morte, nunca as dissociava de sua Ressurreição.”³  Assim, já na Quinta-Feira na Missa da Santa Ceia, em decorrência da unidade do tempo, entramos no Tempo Pascal, formado por sete semanas até a Solenidade de Pentecostes, totalizando 50 dias. Este tempo é marcado pela alegria da vida nova que recebemos de Cristo. É o tempo litúrgico mais forte do ano, pois é a passagem da morte para a Vida. No primeiro dia após a vigília, vivemos a oitava da páscoa, que são os oito primeiros dias do tempo pascal, por ser o tempo mais importante para o cristianismo, deve ser considerado como uma celebração prolongada, ou seja, devemos viver todos os oito dias como se fosse um único, o dia da festa principal. “Este é o dia que o Senhor fez: seja para nós dia de alegria e de felicidade.” (Sl 117, 24). No período pascal todos os domingos são celebrados em unidade solene, por isso falamos em 2º domingo da páscoa e não 2º domingo após a páscoa, e assim sucessivamente, assim, portanto os “cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se tratasse de um só é único dia festivo, como um grande domingo”. 

O anúncio da ressurreição de Jesus é o coração da mensagem evangélica. São Paulo declara com vigor: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a nossa fé”. E acrescenta: “Se tão somente nesta vida esperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens” (ICor 15, 14.19). 

Por ser um tempo importante para a cristandade, a Igreja liturgicamente, nos oferece o tempo quaresmal como um período de “penitência, jejum e oração”, conhecidos como “remédios contra o pecado”, para a conversão do povo cristão, mergulhando-nos na dor, agonia e morte de Jesus e assim, perseverantes, ressuscitarmos com Ele. Mesmo compreendendo o sentido real da Páscoa, a nossa vida, diariamente, passa por tempo de dor, agonia e morte, mas se permanecermos firmes nas práticas espirituais, perceberemos que “a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm 5,5). No domingo de Páscoa concretiza-se esse grande amor de Deus em nossos corações. A Pascoa é mergulhar na imensidade do amor de Deus, e assim possamos ganhar vida em abundância, e vigilantes, aguardamos, esperançosos, mesmo humanamente perdendo o fôlego, a restituição do vigor da vida, tornando-nos, como Cristo, ressurretos. A morte já não tem mais poder sobre nós, ela foi vencida pelo poder da ressurreição, restituindo-nos vestes novas em lugar das vestes de luto que outrora nos cobria. Agora podemos entoar o hino de louvor, reconhecendo que Jesus venceu: “Desdobra-se o céu a rutilante aurora. Alegre, exulta o mundo; gemendo o inferno chora. Pois eis que o Rei, descido à região da morte, àqueles que o esperavam conduz à nova sorte. Por sob a pedra posto, por guardas vigiado, sepulta a própria morte Jesus ressuscitado. Da região da morte cesse o clamor ingente: ‘Ressuscitou!’ exclama o anjo refulgente. Jesus perene Páscoa, a todos alegrai-nos. Nascidos para a vida, da morte libertai-nos. Louvor ao que da morte ressuscitado vem, ao Pai e ao Paráclito eternamente. Amém”.4. 


Ele está vivo e não morre mais! Feliz Páscoa!
João Paulo II, rogai por nós!









¹BETTENCOURT, Dom Estêvão. Disponível em: <http://www.pr.gonet.biz/index-read.php num=487>. Acessado em: 15  abril de 2019.
²Catecismo da Igreja Católica nº 1363.
³ ACI DIGITAL. A Igreja dá início ao Tríduo Pascal: a culminância de todo o ano litúrgico. Disponível em: <https://www.acidigital.com/noticias/igreja-da-inicio-ao-triduo-pascal-a-culminancia-de-todo-o-ano-liturgico-93403>. Acessado em: 18 de abril de 2019.
4 Oração das Horas. Laudes do Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor.
 
Copyright © 2017 RCCSERGIPE - Renovação Carismática Católica de Sergipe.