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12 de junho de 2018

O tempo de espera e namoro, precisam nos levar a Deus

É completamente saudável, bom e natural a necessidade de relacionar-se com o sexo oposto, o próprio Deus em sua infinita sabedoria, plantou esse desejo no nosso coração, “não é bom que o homem esteja só...” (Gn 2,18). O namoro faz parte do desenvolvimento humano e dos planos de Deus para nós. 

Infelizmente a cultura da erotização, tem deturpado a consolidação de amizades sadias, do relacionamento humano. Roupas, brinquedos, mídias sociais e tantos outros meios, inoculam de forma sutil a erotização desde a infância. Os casais têm valorizado mais a relação física, substituíram a conquista por Test Drive. Test drive SIM. O popularmente e conhecido “ficar”, se tornou uma febre, e não é diferente do que fazemos quando vamos á uma concessionaria desejando comprar um carro novo. Trata-se de usar o outro como um produto que é experimentado, se agradar é utilizado (ou não) por um determinado tempo, se não, é descartado. Não há mais diálogo, apenas o contato físico. Pensando nisso o Papa João Paulo II, conseguiu apresentar de maneira fiel aos ensinamentos da igreja, 129 catequeses, reunidas e chamadas de Teologia do Corpo, que expõe de maneira fascinante, a beleza da sexualidade humana e do nosso chamado ao amor.

“O corpo humano (…) encerra ‘desde o princípio’ (…) a capacidade de exprimir o amor: aquele amor em que o homem-pessoa se torna dom e, mediante esse dom, realiza o próprio sentido do seu ser e existir” (16 de janeiro de 1980).

O relacionamento cristão (católico) traz a beleza da espera em Deus. O chamado, caminho de namoro, impede que tomemos decisões precipitadas a cerca do outro, e ajuda a entender, se realmente aquela pessoa é o que eu almejo para um relacionamento a dois, se temos afinidades para estarmos juntos, ou é apenas uma carência momentânea. 

Esse é um momento de aproximação, de começar uma amizade (se ela ainda não existir), de orar juntos para discernir a vontade de Deus. Pode ser acompanhada por uma pessoa mais madura espiritualmente, (sacerdote, um casal.) ou não. Começa quando se percebe interesse por parte de um dos jovens ou do casal. Ela não é obrigatória, é uma escolha pessoal, mas é imprescindível dizer que, o tempo de espera e namoro, precisam nos levar a Deus, ou seja, não é uma amizade colorida, o casal não “fica”, aqui o relacionamento é restrito ao dialogo e oração. A paciência e a confiança no Senhor são indispensáveis nessa etapa, se não houver, existirá o medo de perder. Mas lembremo-nos de que: “Aquilo que é de Deus, homem nenhum pode tirar de nós”.

O namoro é um tempo belíssimo de conhecimento e edificação da amizade, “um amigo ama em qualquer tempo” (Pr 17,17). Essa fase é propicia para passear de mãos dadas, abraçar, beijar, saber dos gostos, dos anseios, sonhos, o que agrada e desagrada, momento de gastar tempo com o outro, de dialogar. Já aqui, se assume a responsabilidade de levar o outro ao céu, tendo sempre o desejo de santidade e o objetivo de fazê-lo (a) feliz (1Ts 4,3).

Namorando aprendemos a respeitar o (a) amado (a), reconhecendo-o (a) como templo do Espirito Santo (1Cor 4,16-17). Entretanto não é tempo para a relação sexual. Nós, cristãos, somos chamados a vencer o egoísmo por meio da vida casta que “aparece como uma escola de doação da pessoa. O domínio de si mesmo está ordenado para a doação de si mesmo. A castidade leva aquele que a pratica, a torna-se para o próximo uma testemunha da fidelidade e da ternura de Deus.” (CIC 2346-2347). Ela nos conduz a uma vivência de liberdade com responsabilidade (Eclo 15,14), ao amor maduro. 

“que cada um procure não o próprio interesse, mas o interesse do outro” (Fl 2,4).

Se no namoro não teve renúncia, o amor foi superficial, regado pelas facilidades dos prazeres. Se todos os sentimentos foram misturados de qualquer jeito, sem a mínima preocupação com as consequências, com a vida do outro, essa estrutura será facilmente destruída no matrimônio (Mt 7,24-27). Não haverá alegria nas tribulações, nem respeito na doença. Se não consegue viver a fidelidade e castidade no namoro, quem garante que conseguirá na doença, na gestação, na ausência por causa do trabalho? É preciso aprender agora a fazer essa saudável renúncia, isso capacitará para viver as renuncias exigida no futuro. 

A Igreja nos instrui que o domínio de si mesmo, é um trabalho a longo prazo (CIC 2346). Quando estamos em intimidade com o Senhor, vivemos a castidade, não por causa do(a) namorado(a) mas por amor a Deus. (Cl 3,23).

Em algumas ocasiões, somos seduzidos por escolhas que nos frustram profundamente, pensando nisso, o caminho e o namoro, nos direcionam a conhecer o coração do outro, a procurar uma pessoa que veja mais do que um rostinho e um corpinho bonitos.  Alguém que diferentemente daquele que te dar flores, te ajude na caminhada árdua rumo ao céu, um amor que ache lindo o seu jeito modesto de se vestir, as marquinha nos joelhos, por causa das adorações. Alguém que ache mais bonito o véu, do que os cabelos longos, que te veja a mulher mais linda, quando o seu único batom for o evangelho nos lábios, que olhe para você apaixonado (a) com cara de bobo (a), quando, ao invés de chama-lo (a) para uma balada, convida-lo (a) para o retiro. Que cante com você as músicas que trazem lições profundas e te levam a estar em intimidade com Deus. Um amor que veja no serviço ao senhor e no tempo que você gasta com isso, pontes que poderão levá-los ao Eterno ao invés de muros que os afastam, e não se importe em adiar alguns passeios e viagens por isso! Alguém que acredite que a castidade é o único caminho para um namoro santo e um matrimônio enraizado na fé!

E se você já encontrou esse amor, viva para que ele compreenda, que assim como diz a música, Marcas do Eterno do padre Fabio de Melo: Antes de alguém entrar na sua vida e se decidir por você e por sua historia, já existia Outro Amor (Maior). 

"Como namorados, vos encontrais a viver uma época única, que abre à maravilha do encontro e faz descobrir a beleza de existir e de ser preciosos para alguém, de poder-vos dizer reciprocamente: tu és importante para mim. Vivais com intensidade, gradualidade e verdade esse caminho. Não renuncieis a perseguir um ideal alto de amor, reflexo e testemunho do amor de Deus!” (Papa em mérito Bento XVI) 


Dhênyfa Campos- Coord. do Ministério Jovem- Arquidiocese de Aracaju
(Grupo de Oração Discípulos de Emaús, Capela )



 
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